Com a pandemia, as exposições a risco das empresas aumentaram?

Antes de responder a essa pergunta, temos que fazer algumas colocações.

Uma delas, é que se faz necessário rever as coberturas de seguros contratadas pois muitas exposições simplesmente deixaram de existir neste momento e outras demandas surgiram.

Se seu programa de seguros venceu neste período ou vencerá em breve, muito provavelmente, existem coberturas de seguros que tiveram seu risco totalmente neutralizado, ou muito mitigado, logo não há necessidade de tê-los contratado. Vamos analisar alguns exemplos:

- danos elétricos: a possibilidade da ocorrência de um sinistro, com a ocupação dos escritórios limitada a uns poucos colaboradores, está praticamente excluída;

- quebra de vidros: também é um risco que pode ser retirado da apólice;

- responsabilidade civil-operações: se seu negócio está paralisado ou fechado, não há motivos para continuar a ter esta cobertura contratada;

- patrimonial: os valores de seus estoques, muito provavelmente baixaram muito, de modo que esta também é uma cobertura de seguros que deve ser revista;

- lucros cessantes: é uma cobertura de seguro que pode ser substituída por despesas fixas, ao invés de lucros cessantes.

Não se esqueça que todas estas mudanças são temporárias, pois ao retornarem às atividades, como antes da pandemia, essas coberturas deverão ser recontratadas.

Por outro lado, os riscos de invasão ao seu sistema de TI estão completamente adversos aos tempos anteriores à pandemia. Será que esta exposição já foi transferida para a indústria de seguros?

O risco cibernético não é novo, mas o home office deixa a empresa mais vulnerável aos hackers, pois o banco de dados é acessado por vários colaboradores externos, e isto deixa o sistema da empresa exposto.

Segundo um estudo no segmento, nos últimos 4 meses ocorreram quase 10 bilhões de tentativas de invasão de dados na América do Sul. Deste número, 1,6 bilhão foi no Brasil!

Os riscos de vazamento, roubo ou sequestro dos dados ou de informações confidenciais de clientes ou contaminação de banco de dados da empresa podem gerar um prejuízo não provisionado ou mesmo inimaginável.

O seguro cibernético indeniza:

- prejuízos decorrentes do vazamento de dados, inclusive as multas promulgadas em sentença judicial (a Lei Geral de Proteção de Dados só entrará em vigor em maio de 2021);

- despesas com notificações dos seus clientes, e

- até mesmo os lucros cessantes em decorrência do sinistro.

Com o fim da pandemia, o risco das empresas em ter seu banco de dados invadido não será menor, e sim diferente. Portanto, é necessário estarmos atentos às novas exposições a risco que a tecnologia nos apresenta. Um seguro bem contratado e um bom gerenciamento de riscos sempre ajudam a proteger uma empresa das adversidades que venham a surgir.

Então, respondendo à pergunta inicial, algumas demandas foram modificadas e outras se tornaram desnecessárias, logo, ao colocarmos na balança, a exposição a risco das empresas diminuiu com o home office. Entretanto, ao voltar a operar normalmente as empresas deverão rever os seguros tradicionais, mas o cyberseguro não deverá ser deixado de lado.

Outra cobertura de seguro que devemos ter sempre em mente é o de Responsabilidade Civil, pois nenhum negócio está a salvo de gerar um dano a terceiro.

Porque mesmo trabalhando de forma correta, em conformidade com a legislação e normas de segurança, uma empresa ou seus funcionários podem causar, de forma involuntária, danos materiais, corporais e/ou morais a outras pessoas. Quando isso acontece, a empresa pode ser responsabilizada, tendo de arcar com despesas indenizatórias que podem prejudicar o fluxo de caixa ou ocasionar perda de patrimônio.

Esta modalidade de seguro é precificada pela seguradora por meio de questionário que o pretendente ao seguro irá preencher, e saiba que na indústria de seguros a falta de informação é facilmente contornada pela seguradora, ela aumenta o custo do seguro.

Na leitura da seguradora a falta de informação representa aumento do risco e isto se compensa aumentando o preço do seguro, portanto, preencha o questionário com o maior número de informações possível.

E finalmente, sugiro a contratação do seguro D&O, que para mim é o mais importante, pois ele é contratado pela empresa, mas os favorecidos são todos os funcionários, conselheiros e gestores que tenham responsabilidade e autoridade para, por exemplo: contratação de empréstimo, compra e venda de ativos, investimentos.

Este seguro protege as pessoas físicas, seu patrimônio pessoal, daqueles que tenham a autoridade para em nome da empresa tomarem suas decisões.

A empresa determina uma verba a ser segurada e este valor será o teto para as indenizações de todos os gestores. É exatamente por esta razão que devesse levar em consideração a magnitude do patrimônio dos gestores, assim como a governança adotada pela empresa, pois isto impacta diretamente na determinação da importância segurada.

Na Wave, uma desenvolvedora de negócios em rede através de executivos sênior, possuímos uma área de gestão de riscos que pode lhe dar várias informações e sugestões sobre o assunto.

Post relacionado