Agir em Tempos de Pânico – Artigo: Como sobreviver às feridas da pandemia?

Coluna: Agir em Tempos de Pânico – Artigo: Como sobreviver às feridas da pandemia?

 

Alexandre Horta e José Cândido – Business Partners da Wave Corp.

 

Afora poucas e honrosas exceções, a grande maioria das empresas está sofrendo profundamente com a paralisação econômica. Por mais que o governo tenha disponibilizado instrumentos para minimizar o impacto negativo sobre negócios que estão sem operar, ou operando em condições muito precárias, isso não será o suficiente para deter a sangria do caixa que o atual cenário representa.

Não bastasse essa situação concreta, de garantir a sobrevivência de seu negócio, os empresários ainda têm que conviver com a angústia de não terem uma visão clara sobre qual será a realidade do ambiente das empresas quando o processo de isolamento social começar a ser abrandado, porém não há dúvidas que todos nós enfrentaremos uma fortíssima retração na atividade econômica.

Existem ações fundamentais com as quais os empresários terão que se deter para garantirem a continuidade de seus negócios. Elas são 3: Emergencial, adequação ao novo normal e Gestão.

Emergencial: a questão do caixa, em uma situação de crise, ganha uma dimensão ainda maior, requerendo esforço adicional de previsão e de análise em relação ao impacto da atual situação sobre o caixa, considerando as alternativas disponíveis para mitigar a situação financeira, embora, para muitas delas, não temos ainda um horizonte claro em relação à sua validade. Como por exemplo:

  • O governo irá estender o prazo da MP 936 ou, caso meu negócio continue paralisado após a vigência da MP ou terei que demitir e/ou bancar a folha salarial na íntegra?
  • Ocorrerá algum outro programa de diferimento de impostos?
  • Existirão linhas de crédito específicas, junto aos bancos oficiais, proporcionando liquidez e reduzindo custos financeiros?
  • A empresa demonstra ter segurança quanto às suas projeções de fluxo de caixa de curto e de médio prazo? Ela possui fluxo de caixa projetado em prazo superior a 12 meses?
  • Ela tem orçamento de receitas, despesas e investimentos anuais (DRE e Balanços)? Faz acompanhamento periódico do real x realizado? Tem projeções de receitas bem fundamentadas, por exemplo em estudos, levantamentos de mercado, uma base histórica consistente?
  • Tem clareza sobre a contribuição econômica e financeira de seus produtos, clientes, canais ou contratos?
  • Demonstra controle sobre seus passivos, especialmente trabalhista e tributário?
  • Conhece seu ponto de equilíbrio e acredita que sua estrutura de custos está adequada em relação ao mercado e à sua situação?
  • Nas suas vendas a crédito, usa de boas políticas de crédito e cobrança, controles (indicadores) sobre a inadimplência?
  • Na circunstância de possuir exposição ao risco cambial, nas dívidas, nas receitas (exportação) e nos custos e investimentos (importação): Efetua alguma forma de hedge desse risco cambial?
  • A equipe da área financeira, tesouraria e controladoria, é adequada para apoiar os ajustes e as negociações necessárias? Há necessidade de profissionalização da área, via apoio à contratação de melhores profissionais e/ou apoio consultivo direto (de forma provisória) nessa transformação?
  • Existem competências necessárias dentro de casa para atuar positivamente nas diversas frentes de trabalho (corrigir processos orçamentários, tomar decisões em relação ao portfólio de produtos / clientes / canais, cortar custos, alterar ou estabelecer limites de autoridade etc.)?

Apesar de não dispormos de respostas precisas a alguns destes questionamentos, não podemos deixar de avaliar todas as possibilidades, para dessa forma, enxergarmos a amplitude provável do impacto em nosso caixa e avaliarmos as necessidades (máxima e mínima) de recursos para sustentar nossa operação.

A segunda das ações será a de adequação ao novo normal. Olhar para a nossa estrutura e despesas e avaliar o que de fato deveríamos corrigir em nossa forma de trabalhar, levando em conta, em 1º lugar o segmento onde operamos e o grau de competição existente e em 2º lugar, o modelo de negócio escolhido e nossa qualidade de gestão, os quais podem e devem ser questionados, alterados e aperfeiçoados.

Nós da Wave advogamos a tese de que as empresas terão que passar por uma forte reformulação em sua forma de trabalho, abdicando de atividades que possam ser repassadas a prestadores de serviços mais eficientes, ampliando o escopo de trabalho dos seus fornecedores, cooperando com outras empresas do segmento (até mesmo seus concorrentes, onde em tese as sinergias possíveis tendem a ser maiores) e realizando algumas de suas atividades em forma cooperada. Isso nos ajuda a ampliar a possibilidade de reduzir custos fixos e tornar a operação mais leve e, consequentemente, reduzindo riscos operacionais e financeiros.

Ao mesmo tempo, em quase todas as situações onde encontramos empresas com problemas de caixa, isso é consequência da inexistência ou falta de precisão dos instrumentos de controle financeiro, levando a empresa a tomar decisões incorretas seja em termos de direção ou de timing. Dessa forma, pode-se exigir um trabalho prévio de organização desses instrumentos, respondendo perguntas importantes, tais como:

 

A terceira das ações será a gestão e passa por avaliar os aspectos de estrutura da área financeira e das políticas existentes, com perguntas essenciais, como:

 

Será, a partir desse trabalho de avaliar o curto e médio prazo da situação financeira da empresa, identificando as ações necessárias para revisar sua operação e aperfeiçoar seus instrumentos de controle e finalmente, adequar/reforçar a estrutura com as competências necessárias, que se poderá trabalhar com maior probabilidade de sucesso a fase de recorrer às fontes de funding, e dotar a empresa do “Oxigênio” adequado, em termos de volume, prazo, carências, custos e das garantias associadas.

É preciso entender que em épocas de crise, a predisposição dos donos do capital em correr riscos, tende a se reduzir com muita intensidade e, portanto nunca se tornou tão vital “saber se vender”, por meio da demonstração de um diagnóstico correto da situação financeira da empresa e de uma estratégia viável para a continuidade do negócio. Isso fará toda a diferença, seja na negociação de linhas de crédito ou mesmo da incorporação de um novo sócio estratégico ou investidor, capitalizando a empresa e permitindo passos seguros frente ao Novo Normal.

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