Companhia reúne executivos seniores para fazerem negócios

Por Stela Campos

Quando decidiram juntar as expertises em um novo negócio, a intenção de Francisco Martinez, sócio­fundador da
Integra, aceleradora de startups, e Karin Parodi, sócia­fundadora da Career Center, que faz gestão de carreira, era ajudar os executivos experientes que estão sem trabalho. A ideia era fazê­los se conectarem a empresas oferecendo oportunidades de negócios e não apenas os seus currículos.

Em um segundo momento, eles encontraram um novo parceiro, o World Trade Center (WTC), que ofereceu um espaço com a infraestrutura necessária para que esses profissionais seniores pudessem se relacionar com empresas, investidores e quem sabe futuros parceiros de trabalho. Foi dessa união que surgiu a Wave (sigla de “We Add Value to Enterprises”, que se traduz em algo como “agregamos valor a empreendimentos”), uma empresa que se propõe a criar um ecossistema para a geração de negócios.

“Hoje temos muitos executivos experientes na faixa dos 55 anos que perderam o emprego e, como viviam em uma ‘gaiola dourada’, têm muita dificuldade em começar uma segunda carreira e se expor ao mercado”, diz Karin Parodi. Na Wave, ela explica que esse profissional tem a oportunidade de se conectar com as empresas do jeito que ele sabe atuar, fazendo negócio e não pedindo emprego. “Até porque o vínculo de trabalho tradicional está cada vez mais escasso para esse tipo de executivo altamente qualificado.”

Em um espaço de quatro mil metros quadrados, localizado no 24º andar do edifício WTC de São Paulo, a Wave oferece aos executivos, também chamados de “business partners”, um lounge, salas de reunião, estações de trabalho, um café, além de pessoal de apoio. Já em uma plataforma virtual para web e smartphones, os participantes têm acesso a projetos e oportunidades de negócio que aparecem apenas para quem faz parte do grupo. É como se fosse um clube fechado só para executivos, investidores e empresas.

Martinez explica que para selecionar as companhias participantes e classificar os “business partners” se juntaram à
direção da Wave outros 11 executivos, muitos ex­CEOs. “Cada um tem uma especialidade complementar que ajuda a fazer essa curadoria, como, por exemplo, a análise de contrato ou a ampliação do relacionamento com agências de fomento, entre outras”, diz. Antes de ser inaugurada oficialmente hoje, a nova empresa já reúne 60 executivos, sendo que um terço são ex­presidentes e dois terços ex­vice­presidentes, segundo os sócios.

Para se tornar um “business partner”, o executivo paga uma taxa que varia entre R$ 1.000,00 até R$ 2.300,00,
dependendo da infraestrutura desejada. Os negócios, segundo Martinez, acontecem de duas maneiras. Uma empresa, por exemplo, pode procurar a Wave com um problema específico, como querer terceirizar sua área comercial. A partir daí, a Wave escolhe o “business partner” com o perfil mais indicado para o caso. A companhia então paga uma taxa para a Wave, que será compartilhada com o executivo.

Em outro modelo, alguém com uma ideia para uma startup submete o negócio a um processo criterioso de avaliação da Wave, que vai disponibilizar a oportunidade para investidores e executivos participantes do seu “ecossistema”. “Fazemos um ‘matching’ entre as duas partes e oferecemos infraestrutura e um mentor para acompanhar o negócio”, explica Martinez. “Se ele prosperar ficamos com um pequeno percentual sobre o lucro.”
Ele diz que vários tipos de negócios poderão acontecer por meio da Wave, como planos de fusões e aquisições, projetos de “procurement”, estruturação de departamentos em empresas, planos de ampliação de mercados, entre outros.

Como o WTC possui 330 escritórios em 110 países, os sócios dizem que a ideia é abrir unidades “satélites” pela Europa e Estados Unidos e transformar a nova companhia em uma plataforma de negócios internacional. A diferença dos
processos de outplacement tradicionais, que fazem a recolocação de executivos, segundo eles, é que ao integrar a Wave o executivo vai ter um sobrenome corporativo, um cartão de visitas, um e­mail e um link da companhia. “Isso faz toda a diferença, porque é bem mais fácil abrir portas oferecendo negócios e participando de projetos”, diz Martinez.

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