Sai o Outplacement, entra o trabalho colaborativo

Por Stela Campos

Quando o emprego anda escasso, cresce a procura por serviços de recolocação profissional, o chamado outplacement. Contratado pelas empresas que estão demitindo como um benefício para os profissionais desligados ou pelo próprio executivo, esse tipo de assessoria se popularizou muito com a crise no país.

As empresas que atuam na área estão inovando a forma de assessorar esses profissionais em sua transição de carreira, baseados no princípio da construção de redes de trabalho colaborativo. Ao invés de apenas ajudar o profissional a encontrar um novo emprego, a ideia é conectar o assessorado com outros executivos e estimular a criação de negócios, investimentos, ideias e conteúdo.

“Não se trata apenas de fazer networking, mas de produzir um trabalho em conjunto”, diz Rafael Souto, CEO da Produtive Carreira e Conexões com o Mercado. Na sua empresa, o novo serviço se chama “Outplacement 3.0” e inclui a criação de grupos onde executivos, de diferentes setores, se reúnem para elaborar projetos conjuntos. Os encontros presenciais acontecem duas vezes ao mês e contam com a mediação de um consultor da Produtive. Além disso, eles vão estender as conversas em uma plataforma virtual para troca de ideias, estudos e para a elaboração de planos de negócios.

O objetivo, segundo Souto, é que eles unam as suas competências para descobrir alternativas ao emprego tradicional. “Na verdade, estamos trabalhando com o conceito de ‘trabalhabilidade’, que significa buscar outras formas de renda. Muitas vezes é difícil para eles começarem a fazer isso sozinhos”, explica.

A consultoria também está trabalhando com o posicionamento digital do candidato em redes sociais profissionais como o LinkedIn. “Não se trata de produzir um currículo virtual, mas de administrar a imagem do candidato por meio da produção de conteúdos relevantes”, diz Souto.

O serviço de outplacement surgiu nos anos 50 nos Estados Unidos e, no princípio, funcionava como uma ajuda para o profissional que queria retornar para o mercado, mas precisava aprender a se portar em entrevistas de emprego, a preparar o currículo ou uma carta de apresentação. A partir dos anos 90, os executivos passaram a mudar mais de emprego e a dominar esses procedimentos, então começaram a exigir uma assessoria mais ampla das companhias que faziam a transição de carreira. “Elas se tornaram mais ativas na busca de vagas para esses profissionais”, diz Souto.

Atualmente, o foco é ajudar o executivo a se posicionar em um mundo onde o emprego formal não parece ser mais a única possibilidade de trabalho, especialmente para quem já passou dos 50 anos de idade. “O modelo tradicional de outplacement me incomodava porque era o mesmo há muitos anos”, diz Karin Parodi, fundadora da Career Center que está lançando este mês o “Valueplacement”. O novo serviço é oferecido em parceria com a Wave, comunidade de negócios que reúne CEOs, startups e investidores, da qual ela é uma das fundadoras e presidente do conselho de administração.

A ideia, segundo Karin, está explícita no nome, que significa ter uma colocação com ‘valor agregado’, um propósito.

Os serviços tradicionais continuam a existir por meio da Career Center, como a elaboração de currículo, preparação para entrevistas, o plano de ação e a orientação de um consultor de carreira. “O que muda é que agora o executivo pode optar por adicionar a Wave ao pacote”, diz. “Estamos oferecendo a um ex-CEO que está na Wave a oportunidade de assessorar alguém que está a procura de trabalho”, diz. Ela explica que o ex-presidente é remunerado pelo trabalho de atuar como um “sponsor” do assessorado, que, por sua vez, recebe a ajuda de alguém com muita experiência e um networking estratégico. A Wave reúne mais de 60 CEOs e desde que foi lançada no ano passado já tem 25 startups sendo mentoradas, 50 negócios em avaliação e execução e 10 parcerias com family offices, fundos de investimentos, crowdfundings, escritórios de advocacia e franqueadores.

Além de poder participar da criação de novos negócios ou encontrar maneiras de atuar em projetos temporários, os executivos vão poder assistir na Wave palestras sobre tendências do mercado. “Eles vão entender mais de negócios disruptivos, inteligências artificiais e assim vão estar mais preparados para falar de negócios”, diz. Karin conta que na Wave são realizados estudos de caso, análises de experimentos em um laboratório de startups e discussões entre especialistas em fusões e aquisições. “É um universo rico para a troca de experiências”.

Em tempos difíceis, a ideia das consultorias é abrir a cabeça dos executivos e mostrar que existe vida fora do mundo corporativo. O objetivo das redes de trabalho colaborativo é justamente ampliar as possibilidades de carreira em novas áreas e ambientes de negócio. “Sabemos que 80% das oportunidades de trabalho ainda aparecem por networking”, diz Karin.

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